quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um grande dia

Ontem foi um grande dia. Primeiro telefona-me o meu chefe para eu ir ao gabinete dele. Quando me sento mostra-me um envelope e diz que tem uma coisa para mim. Um AUMENTO! Depois começa para la a falar a dizer que estão muito satisfeitos com o meu trabalho e que tem grandes planos para mim etc, tralala... E lá saio eu da sala muito contente, com o meu ego muito polido. É que aqui na Alemanha há falta de engenheiros e como tal há que dar graxa aos existentes para eles não se irem embora, onde sejam mais bem pagos, ou no meu caso, por-me andar para Portugal. Eu até agora só conhecia dar graxa aos chefes, aqui foi ao contrário.

Mariza em Leipzig Review

Depois há noite fui ao concerto da Mariza. Uau é o que tenho a dizer. Uau.Como já disse estava na primeira fila, mesmo perto da guitarra portuguesa. A Gewandhaus é uma sala de concertos, normalmente de música clássica com uma acústica fantástica e onde a malta só põe os pés de fatinho e vestido de noite. Ontem foi diferente. Como devem imaginar Mariza e fado, em geral, são considerados no estrangeiro como World Music. O estilo World Music é muito apreciado pelos adeptos de musica alternativa e portanto ao lado do senhor de fato estava o senhor da rasta (por exemplo). Foi uma mistura interessante de estilos e idades. Sala cheia.

Como eu ia a dizer, eu estava mesmo perto da guitarra portuguesa. Primeiro entraram os músicos e na minha direcção em vez de vir o senhor de cabelos brancos veio: um puto, sentou-se, pegou na guitarra e começou a tocar. ??? Mas o que é que aconteceu ao senhor de cabelos brancos, que costuma pegar na guitarra portuguesa nos poucos momentos de fado televisivos a que eu assisti até hoje? Não veio. Foi ultrapassado por Ângelo Freire, segundo Mariza: “the best of the best at the moment” e sem dúvida o indivíduo mais novo naquele palco. E eu a achar que era uma grande coisa, que até recebi um aumento e tudo, com quase 28 anos estou no início da minha carreira e o Ângelo Freire, que não parecia ter mais de 20, deu um espectáculo fenomenal e toca ao lado de Mariza pelo mundo todo. Além de Angelo Freire, tocaram com Mariza um pianista e trompetista, lamento imenso ao senhor britanico, mas só percebi o nome James, qualquer coisa James, mas mais conhecido por Bond, James Bond :), Diogo Clemente na viola é compositor de algumas musicas e também uma figura importante na imagem da banda com o seu ar latino-cigano, Vicki na percursao impressionou a sala com a sua performance e surpreendeu quem achou que ia ouvir um concerto de musica muito triste, virada para o clássico e talvez adormecer e Marino de Freitas na viola-baixo ajudou à descontracção e gargalhadas com o seu toque humorístico. Sobre as qualidades artísticas de cada um deles não vou falar, porque em primeiro não percebo nada do assunto, em segundo é claro que são os grandes, que a gente só exporta coisa de qualidade :).

Depois entrou a Mariza. Figura impressionante. Parecia uma estátua, no bom sentido, uma vez que parecia altíssima, elegantíssima, toda vestida de preto com uma saia até aos pés (que não se viam, mas quando desceu as escadas percebi que tinha uns tacões de 5 cm, a questão é: como alguém se aguenta em pé duas horas nuns tacões daqueles) morena e aquele cabelo branco. Ela começa a cantar e os pelinhos dos braços da malta a levantar. O público aprendeu português, gritou “Guitarrada”, dançou, bateu palmas, riu, chorou, eu sei la... Aplaudiu no fim de pé, pediu mais e foram felizes para casa. E eu também...

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